poesia

As tuas Ondas

Caminho à beira das tuas ondas
Enquanto olho para o horizonte
Debaixo das nuvens pesadas
Em forma de rinoceronte

Mais longe está o barco
Ancorado no pacato cais
Solta fumo pela chaminé
Como quem está preparado para partir
Penso para comigo
Ficas ou vais?

Caminho descalça pela areia
Feita de reflexos da água salgada
Debaixo do céu laranja
Serei eu a tua amada?

Do barco me trazem novidades
Com um apito sonoro
Se dizem verdades
Naquele barco vou entrar
Para em seguida te conhecer

Tu que vieste da guerra
Que ninguém quer ver
Marinheiro de alto mar
Vieste para me amar

20-Março-2022

João Pires
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poesia

A força das ondas 

A força das ondas 
sulcam as rochas inertes 
gritam de raiva 
soltam-se em espuma branca no ar 
 
A força das ondas 
trazem do mar 
palavras tingidas 
de alma lusa 
 
A força das ondas 
molham as rochas sem alma 
pintam de brilho a sua face 
dão vida à natureza 
 
A força das ondas 
trazem a música de longe 
até chegar aos ouvidos 
numa sinfonia brutal 
 
A força das ondas 
mostram que há vida no mar 
enquanto o peixe está a salgar 
numa rede morta em cima da praia 
 
A força das ondas 
vem molhar a areia 
vezes sem conta 
como se um amor infinito 
viesse beijar sem condição 
 
A força das ondas 
vem pintar o ar fresco da manhã 
com salpicos animados 
por cima do horizonte 
 
A força diz ondas 
diz que há vida 
se as quiseres escutar 

15-01-2022 

João Pires autor

João Pires autor

https://tinta-permanente.blogspot.com

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Ondas vagabundas

Corpos que se misturam
Respiração entrecortada
Beijos de pele
Lança uma cartada

Movimentos suaves
Como o baloiço das ondas
Em peles ardentes
Ondas vagabundas

Luxúria para surpreender
Desejo para saciar
Vontade de te aprender
Lábios frementes para alisar

Vestidos de néctar
Perfumes insolentes
Para te deleitar
Saltar tabus existentes

Corpos que se entregam
Sem fronteiras
Pela atracção se aproximam
Até perder estribeiras

Corpos que se agarram
Como quem celebra a vida
Suspiros que sopram
Numa dança atrevida

01-03-2021

João Pires

foto: wallpaperflare.com

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O Paredão

Quebra as ondas do mar
Solta-se a bruma
Cheiro de salga no ar
Ondas plenas de espuma

Estrondo das ondas no paredão
Ritmadas pela natureza
Num forte encontrão
Contra a barreira da dureza

Salpicos de mar
Chuva salgada
Nem penses em caminhar
Sobre aquela estrada aberta

Se os céus te avisarem
Que os mares estão zangados
Imagina se causarem
Perdas dos empolgados

Gostas que molham o rosto de razão
Arriscas um pouco mais
Para sentires o furacão
Maior juízo têm animais

Pedra escorregadia
Caminho húmido
Deslizas os pés com ousadia
Sem soltar um gemido

22-02-2021

João Pires

O Paredão, Dorset, Inglaterra, foto de Ross Hoddinott

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