poesia

Quando as palavras

Quando as palavras sabem a sal
Voam como gaivotas sobre o mar
Gritam alentos de vitória
Rasgam ventos de glória

Quando as palavras sabem a mel
Da boca do poeta brotam flores
Mas também saem ocas como fel
Perdidas no coração dos amores

Porque palavras são como regaços
Que confortam quando necessário
Valem tanto como dois abraços

As palavras não se confinam a espaços
Voam para muito longe
Como as gaivotas que tocam o horizonte

16-12-2019

João Pires

Autor do livro AMAR EM BAGOS DOURO

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É tempo de viver

Este período de recolhimento será um momento fora das quadras festivas, que irá proporcionar maior proximidade à família. Que seja também tempo para deixar de olhar para o umbigo, para o EU, que seja tempo de perceber que vivemos todos no mesmo planeta. Que a globalização estava a atingir a saturação, o limite da felicidade que rapidamente se transforma no mundo infeliz. Que seja tempo de perceber que a vida não está garantida. Que devemos agradecer por mais um dia, por mais um sorriso, agradecer por agradecer, que devemos pensar que o ar que respiramos não está garantido. Que devemos retirar lições para o futuro. Que as regras de higiene pessoal mudem para sempre. Que este não é o primeiro vírus bem será o último. Que esta invasão afinal é mais perigosa que a 3 grande guerra mundial. Que provavelmente esta e a grande guerra só que não sabíamos que o inimigo mede 400 microns. Que é tempo de VIVER mesmo em ambientes conturbados, de recolhimento. Que é tempo de PARTILHAR. Não me refiro a partilhar estas palavras, porque depois de as escrever e de serem lidas, elas morrem.  Que é tempo de partilhar AMOR.

#covid #coronavirus #pandemia

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Celebração das exéquias
Das palavras mortas
Dos poemas que são enguias
Se escapam das mãos rotas

Quando se forma a claque
Para aplaudir as palavras
Poesia sem ataque
Ideias sem amarras

Mulheres celebradas
Em palavras saboreadas
Mulheres detestadas
Por seres misóginos

Vilipendiar publicamente
Vaiar com desprezo
Amar despudoradamente
Para sair ileso

Racismo no mundo
Cor da pele ou etnia
Até quando este submundo
Quero viver com alegria

Sou resiliente
Sou sonhador
Neste mundo de gente
Para viver sem dor

Qual anátema me caiu
Para viver nesta execração
Sinto vergonha desta nau
Quero acabar com a maldição

Ah se eu pudesse solicitar
Pedir com instância
Para que o mundo pudesse rimar
Viver em concordância

19-02-2020

João Pires
poesia

Celebração das exéquias – poema

Celebração das exéquias
Das palavras mortas
Dos poemas que são enguias
Se escapam das mãos rotas

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poesia

Não sei bem escrever assim – poema

Não sei bem escrever assim
As palavras não são minhas
O coração fala de mim
Eu quero apenas escrever

A razão não fala assim
Dizem que sou poeta
Sou apenas ser vivente
Apenas eu quero escrever

Carente de papel e tinta
Palavras que escorrem assim
Quando a alma o pede

Carente de dizer o que sente
Alguém que escreve em nome do coração,
Que escreve com emoção

17-01-2020
João Pires

autor do romance AMAR EM BAGOS DOURO

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livros

AMAR EM BAGOS DOURO de João Pires

Gosta de ler livros? Romances?

Título: “AMAR EM BAGOS DOURO”

Autor: João Pires
ISBN: 978-989-20-7226-5
Edição: Set-2017
Editor: Edição do autor
Idioma: Português
Dimensões: 147 x 228 x 24 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 258
Classificação Temática: Literatura > Romance
21 euros com portes incluídos (PT)

29 euros (resto do mundo)

Entrevista na apresentação do livro AMAR EM BAGOS DOURO de João Pires
https://www.behance.net/gallery/60969361/Amar-em-Bagos-Douro-de-Joao-Pires

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short story

ESTIVE QUASE FELIZ

ESTIVE QUASE FELIZ

A felicidade anda por aí. Quase que toca nas pessoas.
Como a cenoura à frente do burro: nunca a alcança e se lhe toca, apenas a consegue beliscar.
A felicidade vende-se na rádio, nos jornais, nas revistas, na TV, nas fotos, nas redes sociais.
Causam uma sensação de quase felicidade só o facto de estar em contacto com essas sugestões.
Esta falsa felicidade entrega às pessoas uma sensação de poder do eu.
Por outro lado, o poder do telemóvel, permite a monitorização e controlo do indivíduo, alheado do meio que o rodeia.
A felicidade toca-se por escassos momentos. Trata-se de uma efémera sensação de plenitude, onde o sofrimento é esquecido por momentos.
As pessoas deveriam ser mais críticas em relação ao tipo de felicidade que lhes é vendida.
Felicidade está no instante a ser vivido AGORA.
A felicidade vive-se.
João Pires
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poesia

Quando o natal for Natal

Quando o natal for Natal
Não haverá um choro de fome
O ódio dará lugar ao amor
Terá decorrido um ano de fraternidade

Quando o natal for Natal
Não haverá um choro de sede
Desaparecerão os desertos
O mundo será transformado em oásis

Se um dia o natal for Natal
É porque a palavra presente
Ganha novo significado

Se um dia o natal for Natal
Significa que estou presente
Todos os dias para ti

18-12-2019
João Pires
Autor do livro AMAR EM BAGOS DOURO de João Pires

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